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História dos Incentivos Fiscais

Das origens coloniais ao marco legal: a formação do Sistema Brasileiro de Ciência, Tecnologia e Inovação 

A trajetória do sistema de ciência, tecnologia e inovação no Brasil é marcada por ritmos desiguais, avanços institucionais importantes e recorrentes descompassos entre produção de conhecimento e sua incorporação pelo setor produtivo. Do impacto estruturante da chegada da corte portuguesa (1808) (que reconfigurou o regime colonial) às reformas universitárias, institucionalização da pós-graduação e construção do marco jurídico-legal da inovação no século XXI, formou-se um arranjo complexo que combina capacidades científicas robustas com desafios persistentes de coordenação, financiamento e transferência de tecnologia. 

 

1) A corte portuguesa no Brasil (1808) e as primeiras aberturas

A transferência da corte portuguesa para o Brasil, na passagem de 1807 para 1808, redefiniu o estatuto político e econômico da colônia. Pressionado pelas guerras napoleônicas na Europa, D. João VI rompeu pilares do Pacto Colonial ao abrir os portos às “nações amigas” e, pouco depois, revogar restrições às manufaturas. Esses atos desencadearam a diversificação de atividades econômicas e criaram um ambiente minimamente propício à disseminação de saberes técnicos, ainda que com foco pragmático na administração e defesa do Estado no novo contexto. Esse movimento se somou a antecedentes de formação técnica e militar — como a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho (1792, RJ) — e deu lastro à criação de instituições com vocação para engenharia e ciências aplicadas. 

2) Ações estratégicas de capacitação: do ensino superior à pesquisa
As primeiras escolas superiores e o lento amadurecimento universitário

O ensino superior em território brasileiro consolidou-se no início do século XIX, após 1808, com foco profissionalizante em Direito, Medicina e Engenharia. Ao longo do século XIX, o país ampliou gradualmente suas escolas, mas a universidade, como organização integrada de ensino e pesquisa, tardou a se firmar. 

A UFRJ (1920), inicialmente Universidade do Rio de Janeiro, reuniu unidades já consolidadas, como a Escola Politécnica (fundada em 1792, uma das mais antigas do mundo) e a Faculdade de Medicina (1808), e simbolizou a tentativa de articular um sistema mais coeso de formação superior. 

Até os anos 1960, ensino era a missão primária. A aceleração industrial do pós-Segunda Guerra Mundial e a agenda desenvolvimentista impulsionaram a percepção de que era preciso formar quadros qualificados para sustentar o crescimento econômico. O Estado federal ampliou a rede de universidades públicas por todo o território e, em 1965, as matrículas alcançaram 352 mil estudantes, com maioria em instituições públicas. 

O passo decisivo veio com a Lei n°5.540/1968, que introduziu explicitamente a pesquisa como missão universitária e preparou o terreno para a institucionalização da pós-graduação, em 1975. Esse sistema atraiu talentos, criou programas de mestrado e doutorado e estruturou linhas de pesquisa capazes de elevar a produção científica nacional a padrões comparáveis aos de países desenvolvidos. 

 

3) P&D+I no Brasil: avanços, lacunas e aprendizados
Capacidade científica vs. absorção tecnológica 

Apesar de uma base científica fortalecida nos anos 1970 (com investimentos públicos consistentes), um desalinhamento persistiu entre a geração de conhecimento e a absorção pela indústria. O Estado assumiu protagonismo na pesquisa e na industrialização, mas não integrou plenamente ciência e tecnologia ao processo produtivo. O resultado: muito investimento em ciência e pouco investimento privado em desenvolvimento tecnológico, criando uma “brecha” entre oferta acadêmica e demanda empresarial por inovação. 

A década de 1980, marcada por instabilidade política e hiperinflação, corroeu a capacidade de investimento do Estado e desorganizou cadeias de financiamento, afetando agências e programas. Iniciativas promissoras foram interrompidas ou encolhidas, como os Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) lançados pelo CNPq em 1981, que buscavam aproximar demanda de mercado e oferta de P&D nas universidades. Embora inovadores para a época, e alinhados a tendências internacionais de transferência de tecnologia, muitos NITs não resistiram ao ambiente adverso. Ainda assim, o programa espalhou a cultura da inovação e pavimentou parcerias em várias instituições. 

Já nos anos 90, com a agenda de modernização econômica, surgiram iniciativas para estimular projetos conjuntos universidade–empresa. O programa Finep-TEC articulou cooperação em P&D e foi apoiado pelo PDTI (Lei 8.661/1993), que ofereceu incentivos fiscais à inovação. Apesar de limitações operacionais (como exigências de garantias), o legado positivo inclui a criação de escritórios de transferência de tecnologia em universidades: embriões dos NITs que seriam mais tarde consolidados por novas leis. 

 

4) O marco jurídico-legal da inovação: consolidação e efeitos
Lei da Inovação (2004) e a reorganização das relações ICT–empresa 

A Lei n°10.973/2004 (Lei da Inovação) representou um divisor de águas ao permitir e normatizar a cooperação entre Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e empresas, incluindo compartilhamento de laboratórios, incubação, prestação de serviços tecnológicos, proteção e licenciamento de propriedade intelectual e participação de pesquisadores nos resultados econômicos. A lei tornou obrigatório que ICTs públicas mantivessem Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT), responsáveis pela gestão da PI e da transferência de tecnologia, além de disciplinar a celebração de acordos de parceria até então inviáveis no setor público. 

 

Subvenção econômica e a Lei do Bem 

A partir de 2006, o governo federal implementou subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) para projetos empresariais de inovação, alicerçada pela Lei da Inovação (2004) e pela Lei do Bem (Lei 11.196/2005). Formaram-se dois eixos principais: 

  • Subvenção via Lei da Inovação: cobre custos de P&D (pessoal, insumos, serviços, PI, adequação de infraestrutura). 
  • Incentivo via Lei do Bem: permite dedução fiscal de dispêndios em P&D e reembolso parcial da remuneração de pesquisadores contratados. 

Entre as vantagens da Lei do Bem, destacam-se a dedução adicional de despesas de P&D no IRPJ/CSLL (com bônus por contratação de pesquisadores e por patentes/obtentor de cultivar), redução de IPI na aquisição de bens para P&D, depreciação e amortização aceleradas e alíquota zero de IRRF em remessas para registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares. 

 

Marco Legal de CT&I (2016–2018): aperfeiçoamentos e governança 

Após uma década de experiência, a Lei 13.243/2016 e o Decreto 9.283/2018 aperfeiçoaram dispositivos da Lei da Inovação, ajustando regras de parcerias, encomendas tecnológicas, compartilhamento de infraestrutura, fomento, política de inovação institucional e papel dos NITs. Um avanço relevante foi exigir que todas as ICTs públicas aprovassem políticas internas de inovação, e que ICTs privadas o fizessem para acessar recursos públicos de P&D+I, uma medida de governança que fortaleceu compliance, transparência e previsibilidade. 

 

5) Impactos por esfera: governo, indústria e universidades 

O marco legal de 2004 em diante destravou parcerias antes proibidas e alinhou mecanismos públicos de fomento com as necessidades de inovação. Passados vinte anos, persiste insegurança jurídica em casos específicos de contratação e uso de infraestrutura pública, mas órgãos de assessoria e controle têm atuado para padronizar interpretações e difundir boas práticas, tornando as parcerias mais efetivas para produtividade e competitividade empresariais. 

 

Indústria: incentivos, limites e lições 

Do lado empresarial, a Lei da Inovação e a Lei do Bem surgiram em um contexto pós-hiperinflação, quando empresas precisavam reorganizar-se e competir globalmente. Houve benefícios evidentes, como estímulo à P&D, contratação de pesquisadores, modernização de gestão, mas a subvenção econômica (implementada entre 2007 e 2009) enfrentou questionamentos: viés para projetos pequenos, programas voltados a microempresas com foco gerencial (Prime) e barreiras de acesso para médias e grandes empresas com maior intensidade tecnológica e maior potencial de cooperação com universidades. 

 

Universidades e ICTs: institucionalização da transferência de tecnologia 

Para as ICTs, a exigência legal de NITs e políticas de inovação consolidou estruturas internas de gestão de PI, licenciamento, acordos de parceria, spin-offs e empreendedorismo acadêmico. O legado dos NITs pioneiros dos anos 1980 preparou o terreno para a profissionalização da transferência de tecnologia. Em paralelo, programas de formação em gestão da inovação em universidades como USP, Unicamp, UFMG e UFRGS ajudaram a suprir uma demanda crescente por gestores de inovação aptos a navegar entre academia e indústria. 

O Brasil construiu, ao longo de dois séculos, capacidades científicas substantivas e um arcabouço legal moderno para inovação. A partir de 2004, o país formalizou a ponte entre ICTs e empresas e viabilizou instrumentos de incentivo econômico e fiscal que, quando bem aplicados, aproximam conhecimento e mercado, tendo a Lei do Bem como carro-chefe do ecossistema de inovação nacional.  

A experiência brasileira demonstra que instituições importam, mas que sua efetividade depende do ambiente macroeconômico, da governança e da capacidade de execução. Consolidar um ecossistema vibrante requer visão de longo prazo, aprendizado contínuo e políticas consistentes que transformem conhecimento em produtividade, valor agregado e bem-estar social. 

 

Por que isso importa para você? 

Se você trabalha com pesquisa, entender essa trajetória é essencial. Ela abre um mundo de oportunidades de parcerias, incentivos fiscais e programas de financiamento que podem impulsionar seus projetos. 

Quer saber como aproveitar as vantagens da Lei do Bem e outros benefícios interessantes? Fique de olho no nosso blog para ler as próximas publicações! 

Crédito recorde do BNDES impulsiona investimentos em biocombustíveis no Brasil

Crédito recorde do BNDES impulsiona investimentos em biocombustíveis no Brasil

  • Valor alcançado no ano passado é superior a 2010, quando o Banco aprovou R$ 4,8 bilhões em financiamentos com a mesma finalidade.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 6,4 bilhões em crédito para produção de biocombustíveis em 2025. O valor supera o realizado em 2010, quando a instituição aprovou R$ 4,8 bilhões, montante considerado o maior até então.

A partir de 2023, o Banco retomou o apoio à produção de bicombustíveis no país, em projetos diversificados, com etanol de milho e trigo, além do biometano. Nos últimos três anos, já foram aprovados R$ 13,3 bilhões, cifra 204% maior que a alcançada entre 2019 e 2022.

“O governo do presidente Lula retomou o apoio à produção de biocombustíveis no país a partir de 2023 porque representa um passo estratégico do Brasil no enfrentamento às mudanças climáticas. Ao financiar energia limpa e renovável, o BNDES fortalece a indústria nacional, contribui com a redução das emissões e consolida o país como protagonista da transição energética justa e sustentável”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

De acordo com o chefe do Departamento do Complexo Agroalimentar e de Biocombustíveis do Banco, Mauro Mattoso, apoiar a produção de biocombustíveis traz vários benefícios para a economia do país. “Porque boa parte do etanol produzido vem do milho, por exemplo. Uma parte também vem do trigo. Então você agrega valor a um grão que seria em alguns casos apenas exportado; gera uma indústria, que gera emprego e renda no local de sua produção, ajudando o agricultor e a população local”, explica. “Além disso, também há a produção do biometano, feito a partir de resíduos agroindustriais ou até de centros urbanos.”

 

Fonte: Agência de Notícias BNDES.

BNDES lança plataforma de acompanhamento do Mais Inovação, que já aprovou R$ 21,95 bi em crédito

BNDES lança plataforma de acompanhamento do Mais Inovação, que já aprovou R$ 21,95 bi em crédito

  • Painel permite acompanhar os avanços do programa desde janeiro de 2023, com informações sobre projetos apoiados, empregos gerados e implantação de centros de PD&I

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança, nesta quinta-feira, 8 de janeiro, uma plataforma de acompanhamento do BNDES Mais Inovação, programa de financiamento a projetos de inovação e digitalização no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB).

Disponível neste link, a plataforma reúne informações consolidadas sobre todas as aprovações de crédito realizadas pelo Banco no programa. Desde 2023, o BNDES já aprovou R$ 21,95 bilhões em crédito, distribuídos em 4.653 operações, contemplando empresas de todos os portes e de todas as regiões do país, beneficiando projetos voltados à difusão tecnológica (indústria 4.0), inovação e digitalização, permitindo a geração de mais de 28 mil empregos.

Os projetos aprovados viabilizam a construção e a modernização de laboratórios ou centros de P&D que totalizam quase 200 mil m2 de área, com 5.248 profissionais dedicados. Também estão sendo construídas 14 plantas industriais pioneiras no país.

“Para ser competitiva, a indústria brasileira precisa ser inovadora, incorporar e desenvolver novas tecnologias. Com a política industrial do presidente Lula, o BNDES está contribuindo com a desenvolvimento, no Brasil, de novos medicamentos, serviços e vacinas na área da saúde, além de apoiar 20 novos softwares com uso inovador de inteligência artificial. Com a plataforma, o Banco reafirma a transparência como um de seus valores centrais  e permite que a sociedade acompanhe os investimentos realizados e seus resultados esperados em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Missões e MPME – Do valor total aprovado no programa Mais Inovação, 41,63% foram voltados a projetos de digitalização, 18,3% para a saúde, 14,62% para infraestrutura e mobilidade sustentável, 12,62% para bioeconomia e descarbonização, 10,53% para a agroindústria e 2,29% para a indústria da defesa. Essas são as seis missões de desenvolvimento da NIB.

Micro, pequenas e média empresas foram responsáveis por 3.319 operações aprovadas, que totalizaram R$ 4,07 bilhões, incluindo a aquisição de 81.196 equipamentos da indústria 4.0.

 

Transparência – O novo painel lançado do programa Mais Inovação se soma a um conjunto de ferramentas disponibilizadas para transparência e acompanhamento das ações do BNDES na política industrial: o Painel do Plano Mais Produção está disponível nesse link e mostra o resultado consolidado do apoio do Banco em quatro eixos: Inovação, Verde, Exportação e Produtividade.

Importantes instrumentos de apoio financeiro como o Fundo Clima e o Fust têm painéis específicos disponíveis no site do BNDES, de forma a facilitar o acompanhamento de resultados pela sociedade.

 

Fonte: Agência BNDES de notícias.

BNDES aprovou R$ 1,46 bilhão no Programa Mais Inovação no Paraná desde 2023

BNDES aprovou R$ 1,46 bilhão no Programa Mais Inovação no Paraná desde 2023

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou, desde 2023, um total de R$ 1,46 bilhão no programa Mais Inovação no Paraná em 643 operações. Desse volume, R$ 555 milhões foram para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

Os recursos fazem parte do programa de financiamento do BNDES a projetos de inovação e digitalização no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB). Nesta sexta-feira, 9, o BNDES lança uma plataforma de acompanhamento do BNDES Mais Inovação.

No Paraná, os investimentos permitiram a geração de 2.449 empregos diretos. Houve investimento em 3 projetos de desenvolvimento de softwares com uso inovador de IA (Inteligência Artificial), além da criação de cinco novos produtos de saúde no estado. Na região Sul, o volume de recursos aprovados no programa, desde 2023, chegou a R$ 4,14 bilhões.

Disponível neste link https://www.bndes.gov.br/painel-mais-inovacao, a plataforma reúne informações consolidadas sobre todas as aprovações de crédito realizadas pelo Banco no programa. Desde 2023, o BNDES já aprovou R$ 21,95 bilhões em crédito, distribuídos em 4.653 operações, contemplando empresas de todos os portes e de todas as regiões do país, beneficiando projetos voltados à difusão tecnológica (indústria 4.0), inovação e digitalização, permitindo a geração de mais de 28 mil empregos.

Os projetos aprovados viabilizam a construção e a modernização de laboratórios ou centros de P&D que totalizam quase 200 mil m² de área, com 5.248 profissionais dedicados. Também estão sendo construídas 14 plantas industriais pioneiras no país.

“Para ser competitiva, a indústria brasileira precisa ser inovadora, incorporar e desenvolver novas tecnologias. Com a política industrial do presidente Lula, o BNDES está contribuindo com a desenvolvimento, no Brasil, de novos medicamentos, serviços e vacinas na área da saúde, além de apoiar 20 novos softwares com uso inovador de inteligência artificial. Com a plataforma, o Banco reafirma a transparência como um de seus valores centrais e permite que a sociedade acompanhe os investimentos realizados e seus resultados esperados em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Missões e MPME – Do valor total aprovado no programa Mais Inovação, 41,63% foram voltados a projetos de digitalização, 18,3% para a saúde, 14,62% para infraestrutura e mobilidade sustentável, 12,62% para bioeconomia e descarbonização, 10,53% para a agroindústria e 2,29% para a indústria da defesa. Essas são as seis missões de desenvolvimento da NIB.

Micro, pequenas e média empresas foram responsáveis por 3.319 operações aprovadas, que totalizaram R$ 4,07 bilhões, incluindo a aquisição de 81.196 equipamentos da indústria 4.0.

Transparência – O novo painel lançado do programa Mais Inovação se soma a um conjunto de ferramentas disponibilizadas para transparência e acompanhamento das ações do BNDES na política industrial e mostra o resultado consolidado do apoio do Banco em quatro eixos: Inovação, Verde, Exportação e Produtividade. Importantes instrumentos de apoio financeiro como o Fundo Clima e o FUST têm painéis específicos disponíveis no site do BNDES, de forma a facilitar o acompanhamento de resultados pela sociedade.

 

Fonte: Bem Paraná.

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